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Sempre que me despeço de mim
e ergo os braços num adeus débil
sinto um aperto de saudade
um medo inconsistente
e vergonha da covardia
Em meio a passos falseados
prossigo , hesitante, prossigo
Insisto em olhar a paisagem
por sobre os ombros...
Desenho em nanquim
um retrato inconcluso
uma nova tiragem
sob o título :
“Futuro”
Desconfio dos meus próprios traços
Apago linhas recém delineadas
para reescrevê-las em seguida
(As incertezas ilustram
essa obra em construção )
Faço retas curvilíneas
Disfarço os borrões
que não sucumbiram ao látex
Dou-lhes novo significado
mas ainda é rascunho
Resisto à aquarela
que se exibe insinuante
O vermelho me assusta
( e me excita )
Ainda falta coragem
Teimosa e temerosa
lanço mão do grafite
e rabisco coisas
sem definição
Incorporo ao atlas da vida
torpes representações
(mapas sem nenhuma significação)
Acrescento páginas,
para virá-las,
em seguida
Sindicação
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