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Hoje, vou
escrever um poema definitivo
um poema que desconcerte
que acerte um soco no estômago
que desconstrua
que desoriente
quero um poema eloqüente
agressivo
tenaz
não vou usar uma fita de seda
ou uma luva de pelica
não farei carinho no meu ego
muito menos no teu
meu poema chega de pau duro
desvirginando regras e tabus
quero um poema nu
sem medo das palavras
sem medo de ser mal quisto
de ser mal visto
ou mal interpretado
pode rotular de poema esquisito
quero mesmo que te instigue
que acirre tua curiosidade
e te deixe assim, sem saber o que pensar
perturbado, enojado, perplexo
juntando minhas incongruências
buscando lógica e essência
num emaranhado de coisa nenhuma
subversor de metáforas
inversor de metonímias
prossegue causando um quê de raiva
de desconforto
de decepção
Rimo meus
cataclismos universais
com teus hormônios pessoais
e te faço beber da minha demência
dos meus versos travessos
dessa poesia escrachada
escrita pelo avesso
ao revés
que tira o fôlego
e faz querer mais
falo sobre tudo
qualquer coisa...
que faça sentido
sem ter sentido
ou direção
meu poema é parteira
faz nascer
num parto reverso
preenche os vácuos
da existência
ou exacerba-os ainda mais
é poesia feita em gengibre
pimenta malagueta
temperada em fel
raiz forte
ou limão
mas depois...........
deixo o
verso livre
tomar forma na tua mão
que então, ele se adocique
ou não
que seja terno
ou não
que domestique
ou não
essa tormenta
de tantas faces
de tantas fases
que faz as pazes
com tua emoção
Sindicação
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