“Resta esse constante esforço para caminhar dentro do labirinto / Esse eterno levantar-se depois de cada queda / Essa busca de equilíbrio no fio da navalha / Essa terrível coragem diante do grande medo/ e esse medo infantil de ter pequenas coragens”
( Vinícius de Moraes )

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Maio172009

13:59:27
EPITÁFIO II

Morreu o Zé
O pobre Zé, morreu, sabe Deus de quê.
Provavelmente dessas coisas que matam
os pobres todo dia.
Os incontáveis Zés
da nossa democracia.
O Zé morreu de noite
nos braços da sua Maria
Os filhos do Zé não choraram a morte do pai

Temeram o defunto

com o mesmo temor que já tinham dele em vida
O Zé e sua trajetória estúpida
Sua  existência de nada
Sua alma vazia
Foi-se o Zé , e nos preocupamos,
Com o futuro de Maria
Por que ?
ele era tão pouco ........( ?)
Era só o Zé , que explorava Maria
Não tinha trabalho
Fazia biscate,
Bebia
O Zé cambaleava
Desmaiava no meio fio
Bêbado......
Batia nos filhos
Trepava com Maria
Gozava.................
Fazia mais filhos
Mais filhos de Zé e Maria
Outros  Zés, outras Marias
O Zé era um Zé de merda
Sequer foi notícia de jornal
Ninguém tinha dinheiro pro funeral
A morte do Zé virou despesa
O enterro, foi de vaquinha
De porta em porta
De real em real
Cada vizinho dava o que tinha
O Zé que mal conheci
Me custou cinqüenta reais.
O Zé valia tão pouco....
Era só um Zé a mais. 

Fabi · 22 vistos · 0 comentários

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