Deixo na prateleira
o que se chama vanguarda
Também não fico na janela
olhando o século passado
Refaço meus compêndios
usando todos os matizes na tela
Não quero um tratado poético...
delírios de divã
e uma poesia – novela
Misturo ópio e sal
um conhaque , uma bagana
uma musa no espelho
um doce, presenteado no sinal
o beijo no meio da escada
minha calcinha no varal
uma doutrina ultrapassada...
Retiro da memória
Aquele amor impossível....
um pijama emprestado
um retrato amassado
uma carta , um augúrio
resquícios mofados,
um bolor esverdeado
não resisto à uma boa risada
não resisto às lágrimas....
Do outro lado do muro
a vida pulsa, não pára
um convite inusitado...
uma promessa ?
não farei poema romântico....
me perfumo
vou ao cinema...
Sindicação