“Resta esse constante esforço para caminhar dentro do labirinto / Esse eterno levantar-se depois de cada queda / Essa busca de equilíbrio no fio da navalha / Essa terrível coragem diante do grande medo/ e esse medo infantil de ter pequenas coragens”
( Vinícius de Moraes )

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Fev032012

DISCURSO



Deixa eu dizer que te amo

Deixa eu dizer que te quero

Deixa eu dizer : te espero

 

Deixa eu dizer com palavras tortas

Palavras mortas

Palavras amorfas

Palavras malditas

 

Deixa eu dizer com a voz embargada

A voz tragada

A voz engasgada

A voz exaurida

 

Deixa eu dizer com a boca calada

A boca  fechada

A boca cerrada

A boca  aturdida

 

Deixa eu dizer com a língua suada

A língua cansada

A língua cálida

A língua aflita

 

Deixa eu dizer ....

 

Com a voz  despudorada

Com a boca faminta

Com a língua na tua

Com a palavra já dita

 

...tudo que já disse...

...e o que ainda falta dizer

 

 

 

 


Fabi · 3 vistos · 0 comentários
Fev022012

TATEANDO


Sempre que me despeço de mim

e ergo os braços num adeus débil

sinto um aperto de saudade

um medo inconsistente

e vergonha da covardia


Em meio a passos falseados

prossigo , hesitante, prossigo

Insisto em olhar a paisagem

por sobre os ombros... 

Desenho em nanquim

um retrato inconcluso

uma nova tiragem

sob o título :

“Futuro”


Desconfio dos meus próprios traços

Apago linhas recém delineadas

para reescrevê-las em seguida

(As incertezas ilustram

essa  obra em construção )


Faço  retas curvilíneas

Disfarço os borrões 

que não sucumbiram ao látex

Dou-lhes novo significado

mas ainda é rascunho


Resisto à aquarela 

que se exibe insinuante

O vermelho me assusta

( e me excita )

Ainda falta coragem 



Teimosa e temerosa

lanço mão do grafite

e rabisco coisas

sem definição


Incorporo ao atlas da vida

torpes representações

(mapas sem nenhuma significação)


Acrescento páginas,

para virá-las, 

em seguida
































Fabi · 2 vistos · 0 comentários
Dez312011

TRAJETÓRIA


Viver é correr risco

Não temer o calor do sol

A freada brusca

As artimanhas do destino

 

Viver, é sentir o gosto amargo da derrota

E levantar para uma nova conquista

Provar o doce fruto da paixão

Tantas quantas vezes ela surgir,

Enlouquecer, se ferir... 

Sofrer, e não aprender a lição

 

Viver, é amar intensamente

Beijar na boca , andar de mãos dadas

Não esquecer de  dizer : eu te amo

Mas dizê-lo, com o coração

Fazer amor no meio da escada

Brigar pelas causas justas

Admirar os contornos da lua

Escalar uma montanha

Entrar nu nas águas frias do rio

Andar de bicicleta na chuva

Driblar as ondas do mar

Correr com crianças na areia

Chorar no final do filme

Cantar um refrão  de uma música desconhecida

Fazer novos amigos

Abraçar os antigos

Tomar chope gelado na beira da praia

Um copo de vinho numa noite estrelada

Remar, e nunca esquecer...

Das dádivas que nos foram dadas...

Das flores da nossa estrada

Apesar dos percalços deste caminho

 

Viver, é ter olhos no horizonte,

pés  fincados  no chão,

gelatina no coração,

poesia ,inspiração

E um dia  dizer....

...simplesmente :

Eu vivi !!!!!!

 

 


Fabi · 11 vistos · 0 comentários
Nov252011

POST MORTEM


Acho que vai chegar um tempo

Que vou desprezar o desprezo

Ignorar toda forma de ignorância

Esquecer

 

Nesse tempo,

A mentira será inócua

O desrespeito, salubre

A fome e a miséria

Impercebíveis

A falta de amor,

Só uma fábula

mal construída

 

Vai ser um tempo

De olhos cerrados

De lábios calados

Coração gelado

Um corpo

Num caixão.


Fabi · 21 vistos · 0 comentários
Out292011

NAMORO


Ainda não fico à vontade

Falta intimidade,

falta conhecimento.

 

Como criança, desvendo

teus labirintos e me deslumbro

me descubro

em novos caminhos.

Novas paisagens,

Novas paragens

 

Gosto da paradoxalidade

Das tuas formas

Dessa convivência

entre o luxo secular

e o novo que pede licença

antes de se instalar

 

Seduz-me com tua

natureza imponente

emoldurada pelas favelas

 

Em Santa Tereza, não há falsidade

É um retrato autêntico

da sociedade

Não tem a cal da hipocrisia

 

Por enquanto,

estamos flertando...

 

O amor surge com o tempo

com a familiaridade,

afinidades,

entrosamentos, bem estar

Com a sensação de pertencimento

 

Não és minha,

Não sou tua,

Aqui, ainda não é o meu lugar

Mas só por enquanto...


Fabi · 33 vistos · 0 comentários
Out232011

ALVORADA



Não sei se o golpe que nocauteia

é o que atinge uma área mais sensível

uma ferida aberta

ou uma parte da alma

que se rende, depois de murros sucessivos.

 

O alento é saber que existem escoras;

mãos disponíveis,

afagos sinceros,

prontidão.

 

Soerguer-se

é uma questão de tempo

 

As dores se curam.

Cicatrizes são reminiscências,

que só doem,

se insistirmos em não

esquecer.

 

Apiedar-se do outro

é  complacência

De si mesmo,

covardia.

 

O sol nasce todas as manhãs

é preciso sabedoria para vê-lo,

detrás das nuvens.

 

 


Fabi · 29 vistos · 0 comentários
Out182011

PALAVRAS




Hoje, vou escrever um poema definitivo
um poema que desconcerte
que acerte um soco no estômago
que desconstrua
que desoriente
quero um poema eloqüente
agressivo
tenaz


não vou usar uma fita de seda
ou uma luva de pelica
não farei carinho no meu ego
muito menos no teu


meu poema chega de pau duro
desvirginando regras e tabus
quero um poema nu
sem medo das palavras
sem medo de ser mal quisto
de ser mal visto
ou mal interpretado


pode rotular de poema esquisito
quero mesmo que te instigue
que acirre tua curiosidade
e te deixe assim, sem saber o que pensar
perturbado, enojado, perplexo
juntando minhas incongruências
buscando lógica e essência
num emaranhado de coisa nenhuma


subversor de metáforas
inversor de metonímias
prossegue causando um quê de raiva
de desconforto
de decepção



Rimo meus cataclismos universais
com teus hormônios pessoais
e te faço beber da minha demência
dos meus versos travessos
dessa poesia escrachada
escrita pelo avesso
ao revés
que tira o fôlego
e faz querer mais


falo sobre tudo
qualquer coisa...
que faça sentido
sem ter sentido
ou direção


meu poema é parteira
faz nascer
num parto reverso
preenche os vácuos
da existência
ou exacerba-os ainda mais


é poesia feita em gengibre
pimenta malagueta
temperada em fel
raiz forte
ou limão


mas depois...........

deixo o verso livre
tomar forma na tua mão
que então, ele se adocique
ou não
que seja terno
ou não
que domestique
ou não
essa tormenta
de tantas faces
de tantas fases
que faz as pazes
com tua emoção

 


Fabi · 41 vistos · 0 comentários
Set212011

QUISERA


Diferente do que se pensa

O inferno não é quente

É gélido, árido

Nada cresce aqui

Flores ?

Quem dera

Não há som

Não há sol

Só muita umidade

(Gotículas salgadas)

Quem dera secassem

 

Vira e mexe

Um anjo caído

Aponta uma saída

 

E num pequeno lapso de tempo

É possível ver um brilho distante

É possível enxergar a vida

Distante

Muito distante


Chegar foi tão fácil

Mas a fuga exige força

Para driblar inúmeros degraus

Não há tempo

Não há energia

Quisera houvesse calor aqui

Talvez fosse possível

Brotar uma flor

Quisera...

 

 


Fabi · 38 vistos · 0 comentários
Set182011

DAQUILO QUE NÃO SEI...



 


Amor é sentimento assaz esquisito

Dele, todo mundo fala

Mas cada um, fala dum jeito

Eu mesma já escrevi, me esvaí



Em incontáveis versos e prosas

Em confissões nem tão verdadeiras

Em descrições de fofoqueira...


Já falei do amor dos outros

Como se meu, o próprio fosse

Roubei gestos, cenas, cheiros

Roubei palavras

Que desejei a mim 

Tivessem sido destinadas


Vivi sentimentos misturados

Não separei o joio do trigo

Senti tesão por amigo

Dispensei um bom partido

Inventei príncipe encantado

Transei com moço bonito

Pra me sentir mais desejada



Mixagem de situações

Com um quê de saudade

Do que sequer foi vivido 



O troço é mesmo estranho

É coisa que não se explica

Não tem tamanho nem medida

Parece feito de nuvem

Mas tem força de cachoeira

Cor de cavalo marinho

Cheiro doce de abiu 



Chega manso, sorrateiro

Te pega de calça arriada

Arrasa teorias

E premissas bem arraigadas

Desfaz aquelas promessas

Feitas no desespero

De um cotovelo arruinado


Te deixa com cara de besta

Com sorriso abobalhado

um símil de orangotango

com olhar de palhaço


sem definição ou parâmetro

sem incontáveis

versos e prosas

são gestos, 

cenas, cheiros

sem palavra

que o defina.



 



 



 



 






Fabi · 50 vistos · 0 comentários
Jan022011

E NÃO É QUE O ANO ACABOU ?


Passou assim,
sem dizer a que veio
Ano besta , que nem dor deixou
Sem frustração
Nem  amor correspondido
Sem desejo saciado
Sem saudade,
Sem sonho etéreo
Sem frisson 

Esse foi  um ano concreto,
Pintado de cinza, preto ou marrom
Daqueles que a gente esquece
Daqueles que não têm marca
Meio  vácuo na existência
Sem um quê de esperança
Um quiçá
2010, foi uma estância 

Não teve beijo inesquecível
De encontro ou despedida
Não veio o carro novo
Uma visita inesperada
Aquela conquista aguardada
Ou um show que emocionasse
Uma grande desilusão
Um poema do caralho
Uma estocada no coração
Um afago
Um luzir

Não foi ano de semeadura
Nem tampouco de colheita
Foi tempo  de varredura
De aragem do terreno
De deixar o solo limpo
Para cultivar os novos grãos 

Fabi · 85 vistos · 0 comentários

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