“Resta esse constante esforço para caminhar dentro do labirinto / Esse eterno levantar-se depois de cada queda / Essa busca de equilíbrio no fio da navalha / Essa terrível coragem diante do grande medo/ e esse medo infantil de ter pequenas coragens”
( Vinícius de Moraes )

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Visualização dos artigos postados o: 01/01/2001

Dez202008

TIM - ícone de uma realidade



  


Seria o fato , apenas incidente trágico


se não nos levasse à reflexão


se não transtornasse e amedrontasse


as vítimas dessa tal civilização


é mais um corpo torturado


um assassinato, uma violação


um Tim a menos,um crime a mais


é só um caso sem solução


que choca a alguns, a outros nem isso


virou banalidade, nos jornais


a  brutalidade , os excluídos


e presas inocentes de  marginais


O PIB cresce, o País muda ?


tem quem pense que isso é fase


temos fábricas bem montadas


prédios bonitos e  universidades


Brasil moderno, globalizado


povo inculto , refém e armado


a guerra é em outro continente


nunca chega perto da gente....(?)


...e o gado segue a sua sina


pasta e caga à vontade


ruminando a democracia


uma liberdade pela metade


já não podemos sair à rua


sem ter medo de assalto


sem imaginar que uma bala perdida


pode destruir nossos sonhos e projetos


se isso é paz , então me expliquem

o que é guerra civil?

Mas a Babete tem caviar

e vinho de primeira linha

só não chamaram para festa

o povo da periferia...

então vamos continuar com a tranqüilidade

que reina nos condomínios

com grades e com correntes

pra proteger nossos  filhos

enquanto os meninos pardinhos

fazem  malabarismos no sinal

e quem disser que miséria

não rima com violência

posso apontar mil crianças


que já nascem sem esperança


que afrontam que agridem

e não sabem do amanhã

destituídos de afeto

de piedade e de pão

só lhes resta venerar um ídolo

que tem uma escopeta na mão


 

Fabi · 83 vistos · 0 comentários
Dez192008

RIO SUL


A cidade amorfa

com seus passantes gélidos
caricaturas estúpidas
manequins de vitrine

A cidade gélida
com seus passantes amorfos
caricaturas da vitrine
manequins estúpidos
 
A cidade estúpida
com seus passantes na vitrine
caricaturas gélidas
manequins amorfos


Fabi · 79 vistos · 0 comentários
Dez182008

LOJA DE CONVENIÊNCIA
 - Boa tarde senhorita !  gostaria de comprar um amor 

- Pois não ! temos vários à escolher.
Tenho aqui um, num preço muito bom !
a oferta é maior que a procura, botamos em liquidação !
é um amor colorido atende  por qualquer nome,
não é de grande qualidade,
mas compensa pelo valor !
a base é de papelão,
derrete na primeira chuva ,
 
o conteúdo é só ilusão
 e um monte de palavra vazia...

 
- Esse não quero !
preciso de produto mais duradouro,
um sentimento mais consistente.
A base, quero de gente
e o conteúdo, de poesia 

- Posso oferecer coisa mais forte,
tem um, bem resistente,
não esquece data importante,
 e
scolhe as suas roupas,
regula decotes e amigos,
não te deixa correr perigo,
está sempre  por  perto..
..
passa muita confiança
e sua palavra é um decreto

 
- Esse é o  tal amor que sufoca,
é egoísta  e possessivo,
a base é de ciúmes
o conteúdo , insegurança...
chamo de amor corrosivo....
Você não tem algo mais leve ?

 
- Tem aquele em tom pastel,
é bastante indulgente,
não restringe, não controla...
vendo por qualquer preço
Tem quem ache interessante
o único problema é que é dispersivo,
às vezes esquece o endereço....
e elege outra amante  

- É o amor displicente....
não cuida , não alimenta....
está sempre ausente...
também não quero esse  

-Tenho um que é muito procurado !
é o amor que está na  moda !
é todo em vermelho carmim...
é amor de puro desejo,
 
acende com qualquer lampejo.
Garante gozos inesquecíveis,
no mínimo, três orgasmos por dia !
identifica todos os  pontos:
 “Gê” , “Ka”, “Alfa”, “Beta” e “Gama” ,
na cama, diz que te ama
e que não vive sem você ! 

-
         
É o amor de sensação !
 
Excelente no durante...
mas acaba depois do clímax
conhece tudo do lado de fora,
mas não entende de emoção !  

O que eu quero , chamo de amor de verdade.
É  sexo com mestria, com ternura e acuidade
Amizade ,confiança e  muita sensibilidade
Tem um tom perolado, parecido com a cor da lua

 Q
uero um amor que se excite com meu cheiro   
antes mesmo de me deixar nua
Seja sensível e piedoso... 
Fique emocionado com uma canção antiga
e se comova com um menino de rua, 
Acaricie  meu corpo inteiro
e  cada centímetro do coração....
Conheça o caminho da minha loucura    
E o pouso da minha paixão
 

- Sinto muito, esse não tenho,
 na verdade nunca vi,
a senhora tem certeza que existe...
esse tal amor profundo,
não seria um sentimento idealizado,
uma coisa do outro mundo ?  

- Pode ser que esteja enganada ,
há muito tenho procurado,
....
mas é o único que me atende,
não aceito segunda linha,
produto duvidoso
de origem não-confiável,
com um rótulo garboso...  

- Há  um que não lhe mostrei,
ali, na prateleira mais alta  ! 

- Esse , felizmente já tenho ,
carrego a vida inteira,
é o único que não pode faltar,
do contrário, não temos outros,
é preciso renovar constantemente
deixar brilhante e sempre em cima.
 
Podemos  chamar  de amor - próprio
 
ou então, de auto-estima.    

Fabi · 152 vistos · 0 comentários
Dez172008

FASTIO




Minha boca cerrada

já não encerra o grito
o alívio da alma
a catarse e o alvitre
faz-se muda
diante dos fatos
perdeu seu anseios
sua essência, seus mitos



Minha boca ressequida

já não mata minha sede
perdeu-se entre fatos
anseios e mitos
calou seu grito
cerrou-me a alma
perdeu sua essência
a altivez e o alvitre


Fabi · 74 vistos · 0 comentários
Dez152008

HISTÓRIAS DE UM DOIDO VARRIDO

Esbarrei no meio do caminho
Com um
velho desmiolado
Fedido e mal arrumado
Desses que vemos todo dia...


Mas esse era diferente,
Mesmo com seu  jeito demente
Alguma coisa nele, atraía
E fazia juntar gente

De perto poucos ficavam
O cheiro de mijo, incomodava
À certa distância, porém, parecia
Um ente de um reinado perdido

Tinha pose pricipesca
A palavra bem impostada
E
 mesmo quem não quisesse
A sua história ouvia.

Contava que num canto qualquer havia
Um reino encantado
Mas tudo foi construído
Pelo povo que lá habitava

Nem sempre foi daquele jeito
Mas aquela gente determinada
Mudou o rumo do seu  mundo
E construiu um país, que seria ,o  nosso contrário.


Era um povo operário
Incansável e altruísta

Dominados por um governo perdulário
Que lhes sugava todo salário

Decidiram então que mais nada dariam
A
os dirigentes, para que eles fizessem
O que diziam que fariam 
E no entanto nunca fizeram

Fizeram então  eles mesmos
O que deveria ser feito
Ajudaram-se uns aos outros, em tudo que podiam
E o dinheiro dos impostos, depositaram em juízo
Na conta dos  excluídos.

O governo, ficou  no prejuízo
Mas o povo enriquecia
E aos poucos  esqueciam
Que tiveram um líder
Incompetente e autoritário.

E o que era ninharia
Se transformava em milhão
Aquela gente sem querer fazia,
Uma  grande revolução


O governo salafrário
Que pensava que o povo era otário

Desesperado , fugiu.
Dizem, que veio para o Brasil ! 

Fabi · 70 vistos · 0 comentários
Dez132008

PROMESSAS


Não direi : te amo

Não espere de mim
um lindo poema de amor


Não te darei  palavras escritas

Todas as letras serão ditas
em gestos, em toques ...

em arroubos

em estrondos
em  emoção


Com um maissssssssss

no teu  ouvido
um sussurro, um gemido


Com a mão inquieta

Com um não vacilante
Com uma risada gostosa


No banho de vinho

No banho relaxante
No banho de gato


Entre as paredes do quarto

Entre minhas  pernas
Entre nossos suores


Quando me deixares de quatro

Quando me deixares de joelhos
Quando me deixares morta

Completamente perdida
Exaurida
E apaixonada por você


Fabi · 77 vistos · 0 comentários
Dez112008

POR QUE A POESIA EM TEMPOS DE INDIGÊNCIA?

Eu canto porque o instante existe / e a minha vida está completa / Não sou alegre nem sou triste / sou poeta
.” 
(Cecília Meirelles)   
         
Muitos são os instantes cantados pelos regentes das palavras. Poesia é assim, tem distintas fases, diversas faces. Ora é catarse, ora reflexão. Munidos de versos os poetas são capazes de nos envolver numa emaranhada teia de questionamentos ou simplesmente exacerbar nossos mais caros sentimentos. A poesia denuncia, apazigua, encanta, emociona, nos deixa perplexos diante de esculturas perfeitas trabalhadas em letras e emoção. Existem poemas que nos surpreendem , mesmo quando descrevem situações com as quais nos deparamos constantemente. A realidade em versos é explícita, doída, nos acerta um soco no estômago e nos  faz acordar...
 

“ Vi ontem um bicho/ Na imundície do pátio / Catando comida entre os detritos ( Manuel Bandeira )

             Outros grandes maestros são extremamente realistas e contundentes e nos conscientizam, expondo as misérias sofridas por tantos homens-bicho da nossa sociedade fragmentada. 
Somos muitos Severinos / iguais em tudo e na sina / a de abrandar estas pedras / suando-se muito em cima / a de tentar despertar / terra sempre mais extinta” ( João Cabral de Melo Neto )  
          
Também é desconfortável a poesia espelho, aquela que  mostra nosso retrato estampado nas palavras e nos leva a pensar na transitoriedade e nas contradições da vida .
 

“E agora, José? / A festa acabou / a luz apagou ,o povo sumiu, / a noite esfriou,e agora, José?  / e agora, Você ?  ( Carlos Drummond de Andrade )

             Mas talvez o bom seja apenas sentir os versos , talvez a poesia não seja feita para pensarmos nela , assim como o mundo... 
“O Mundo não se fez para pensarmos nele /   (Pensar é estar doente dos olhos)  / Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo...” (  Fernando Pessoa )       
     
E então, livres do pensar, podemos nos embriagar de palavras , que nos deixarão desorientados, perplexos ,emocionados ou encantados, mas jamais  indiferentes.
Quando tanto nos falta, é fundamental bebermos do néctar-seiva poesia para continuarmos acreditando no amor e na vida. Posto que poesia é o fato eternizado na escrita mas é também e acima de tudo a esperança tatuada nas entrelinhas dos poetas. 
“Resta esse constante esforço para caminhar dentro do labirinto / Esse eterno levantar-se depois de cada queda / Essa busca de equilíbrio no fio da navalha / Essa terrível coragem diante do grande medo/ e esse medo infantil de ter pequenas coragens”  ( Vinícius de Moraes )  

Fabi · 127 vistos · 0 comentários
Dez112008

Por que a poesia em tempos de indigência?
 

Ainda   que  falte o pão, a justiça,  a deferência
Ainda que não haja teto, honradez,  integridade
Mesmo sem escolas, hospitais, sem dignidade
E nossa juventude esfacelada  pela violência 

Enfrento com metáforas esses tempos de indigência
Transformando em versos nossa atroz realidade
Uso a força da palavra como forma de  resistência
Clamando  muda com voz pujante e com liberdade 

Quero  atingir famosos , anônimos, desertores
Semear solidariedade onde impera hipocrisia
Despertar a sensibilidade de eventuais leitores 

Para amenizar os  dissabores do nosso dia a dia
E na semi-aridez destes campos, plantar as flores
Irrigadas com amor, com esperança, com poesia

Fabi · 63 vistos · 0 comentários
Dez112008

VIVER....

E NÃO TER A VERGONHA DE SER FELIZ....


CANTAR , NA CERTEZA DE SER UM ETERNO

APRENDIZ....

Fabi · 64 vistos · 0 comentários
Dez102008

DIVAGAÇÃO


Entre a emoção e a razão

há um tanto de cólera
de tédio
inércia
e insensatez
 
um oceano negro e revolto
a imagem do fato
e o que seria

entre a emoção e a razão

há o medo incontestável
a possibilidade constante
a angústia
o naufrágio
o talvez

há vida

quiçá a morte
um ponto final de frase
a consumação
( h ) a felicidade ( ? )

há o conhecido
o previsível....

....e o monstro sagrado da descoberta
caminho tortuoso
(sinuosas linhas)
fascínio e desafio

certezas...
implausíveis
 
Razão e Emoção
faces de uma mesma moeda...
medalhas tão distintas...


 

Fabi · 50 vistos · 0 comentários

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