“Resta esse constante esforço para caminhar dentro do labirinto / Esse eterno levantar-se depois de cada queda / Essa busca de equilíbrio no fio da navalha / Essa terrível coragem diante do grande medo/ e esse medo infantil de ter pequenas coragens”
( Vinícius de Moraes )

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Visualização dos artigos postados o: 01/01/2001

Set062010

VERSO AMPUTADO


A palavra pela metade
A palavra não dita
A palavra calada
Agoniza, até se perder 

Faz o inverno da alma
Embrutece a fantasia
Corrompe a poesia
Que insiste em viver

 
E da voz embargada
Saltam versos profusos
Sentimentos confusos
Que temem, nada dizer  

Fabi · 1 vista · 0 comentários
Ago232010

SEXO

O sexo
não é  complexo
mero amplexo
é o côncavo
com o convexo 

O sexo
é normal
De certa forma,banal 
É instinto,fome, cio
de qualquer animal 

O sexo que está na tela
ensaio de modelos esculturais
É o mesmo exercício,
o mesmo reflexo
dos atores da vida real,
e seus corpos imperfeitos.... 

O sexo é tão banal...
Oral
Anal
Usual
Casual
Segue o mesmo roteiro
O sexo é muito banal... 

Pode  usar sadismo
Apelar pro bacanal
Fazer pompoarismo
Tomar over dose hormonal
Ainda assim é igual
Ainda assim é banal

O sexo bom não tem receita
Nem seqüência pré-determinada
Não precisa de  lugar específico
Nem performance aprimorada
E com certeza  não é banal
Jamais é um ato igual... 

É um momento especial
A troca mais sagrada...
encontro de luz, desejo e magia
Se é  feito...
Com a pessoa amada   

Fabi · 11 vistos · 0 comentários
Ago052010

DESVARIO

Rasgue ao meio meu brio
Quebre minha convicção
Descabele meus pensamentos
Desoriente meu coração 

Faz de mim teu melhor brinquedo
Um filme sem coesão
Dispense a lógica, o enredo
Quero uma história de paixão

Assopre minha saudade
Embaralhe minha retidão
Amasse todos os meus sonhos
Me deixe nua sobre teu  chão 

Me desembrulhe, sou teu presente
Teu anseio, tua pretensão
Mas não me ame eternamente
Não sou raio, sou o trovão   

Fabi · 7 vistos · 0 comentários
Jul062010

BIOGRAFIA


Que covardia
fui abatida sem defesa
fui a caça, fui a presa
uma ave de arribação 

Pura magia
um encontro sem recatos
dois amantes nus no quarto
extravasando a paixão 

Na teoria
o amor jamais termina
é um visgo, uma sina
é a luz, é a canção 

Minha utopia
lindo sonho eternizado
desejos salvaguardados
no baú da ilusão 

Fiz  poesia
muitos versos bem rimados
sentimentos exacerbados
poemas de confissão 

Hemorragia
avalanche de recados
sangue quente represado
inundando  o coração 

Na galeria
só restaram nossos retratos
a saudade e uns farrapos
minha dor em exposição       

Fabi · 10 vistos · 1 comentário
Jun222010

CONFISSÃO


Há desacordo no tempo,
Quando os ponteiros se desalinham
E ficam distantes
Embora ocupem o mesmo lugar

São os momentos distintos
Os de seguir, de caminhar
De refletir , de aguardar
Todos sagrados, no entanto
Mesmo que jamais se encontrem 

Ora  quero aconchego
Quiçá, a clausura
O abraço apertado
O beijo no canto da nuca
O olhar que acolhe
O colo que protege
A vontade constante
De simplesmente,
Estar junto... 

Ora quero o vento
Tornado de liberdade
O abraço disponível
Apesar de tão distante
O beijo que se revele
Entre tantos,
Tantos tidos
A mão que não resvala
O olhar que denuncia
O colo que não renega
A vontade em duas vias
De simplesmente estar junto
Apesar de tão distintos... 

Fabi · 22 vistos · 1 comentário
Maio082010

O que seria de mim sem esses meninos...


    Vira e mexe me pergunto , o que seria de mim, se não tivesse me tornado MÃE. 
    Se não fossem esses meninos , que de meninos quase nada mais têm, mas que meu olhar caprichoso, preguiçoso e condescendente me faz abstrair a barba , as pernas cabeludas ( malditas e lindas pernas cabeludas têm esses meus meninos !!!! ) e  uma voz grave , que quase nunca me solicita, que não ouço mais chorar de fome , de medo de monstro do escuro, de dor de joelho ralado.
 
    Menino crescido tem dessas coisas, cuida das próprias feridas, conta os segredos pros amigos, não chora nunca. Se chora, é escondido, não paga mico de contar pra gente que perdeu o medo do monstro, mas que às vezes quase se apavora,de tanto medo do mundo.
    Mas menino crescido não pede colo, não pede nunca , mesmo quando a gente oferece os braços, num abraço comprido, num abraço que só as mães  sabem a dimensão que tem. 

    O  que seria de mim sem meus meninos?
    Talvez estivesse mais magra, com a pele do seio mais rígida, a barriga mais definida e um bumbum turbinado. Talvez adotasse um poodle, que adornaria com laço de fita, o  chamaria de  filho, mesmo em público, tentando compensar o vazio.
    Teria perdido a essência daquilo que nos vem de fábrica, que faz parte do feminino , mas foi deturpado pelo mercado. Que fez da mulher um produto,com rótulo, preço e prazo de validade. Que nos embrutece com modismos, criando personagens. Caricaturas de revistas que nada têm de autenticidade.

    Mas eu tenho meus meninos pra me chamar de MÃE , que complementam minha existência, alterando a forma e o conteúdo, me dando  manemolência  no transcorrer dos dias e para encontrar a razão, de um dia eu ter nascido.
  O que seria de mim se não fossem meus meninos...Já deram tanto trabalho , ainda dão  e  darão com certeza... mas nada que me faça lamentar, nada que me faça questionar, que melhor seria, se não os tivesse tido. 
   Esses meninos sequer são perfeitos , tem os dias de mau humor, dias de nota vermelha, de carimbo na caderneta , de deixar comida no prato, de detestar salada , principalmente do agrião, de largar os tênis na sala, deixar a luz  acesa, de esquecer de ligar, de avisar que vão chegar tarde, às vezes , que nem vão chegar... são coisas de menino, que dá vontade de esganar... vontade que não sejam mais meninos e cuidem da própria vida...   
  
Mas como vai ser a minha vida , sem os meus meninos ?  Que de meninos quase nada mais têm, e que não demora, não tarda, sequer vou me espantar com a barba...
    É quando a vontade de esganar passa e me apavoro, de medo do mundo... mas como não ligo de pagar mico, peço colo pros meus meninos e me perco entre seus braços longos e cabeludos, num abraço tão comprido, tão apertado ,desses que só as mães sabem,  a importância que tem. 


Fabi · 19 vistos · 0 comentários
Fev222010

PLAYMOBIL
Levei anos para ser construída...
peças e mais peças
peças sobrepostas
em cores diversas
fui armada em branco
amarelo, azul
cor-de-rosa....
muitos tons pastéis...
roxo? Não !
menos ainda o vermelho

Não me pouparam a transparência
nuanças da inocência...
com matizes bem comportados
fui  montada, afinal
com a engrenagem  se movendo
como manda o manual... 

Hoje , o playmobil de um metro e setenta
já não funciona tão bem
depois de alguns tropeços
um sudoeste a bombordo
um intemperismo físico-químico
duas ou três erupções
uma topada mais forte
e uma estocada  no peito
muitos blocos se perderam pelo caminho
outros tantos , se deslocaram
e não consigo reagrupá-los...
tento buscar seus espaços
mas são lacunas estreitas
ou largas demais
então ... o brinquedo para
não consegue caminhar
não reconhece seus mecanismos... 

Preciso desconstruir o tal modelo
esparramar  todas as peças no chão
e dar início à outra montagem
adicionar uma  nova conexão
jogar as obsoletas  no lixo
usar cores estapafúrdias
vários matizes de branco
misturar vermelho, preto, roxo e lilás
remontar tudo , de ponta à cabeça
me refazer , usando minhas próprias mãos
minhas verdades , minhas convicções
sem convenções emprestadas
sem regras ditadas
sem o discurso
do sonho alheio 

assim... verei no espelho
alguma coisa sem definição
sem rótulo pré-estabelecido
com peças a mais
com
peças faltando
andando  de lado
de repente, pra trás...
não importa...
não existe perfeição,
não existe regra pra criação
nem certezas definitivas
há um percurso contraditório
em meio ao caos , ao purgatório
cercado de esperanças e expectativas
traçado em linhas mal definidas
apoiado em sonho e tesão
há a concepção, da minha própria vida   

Fabi · 47 vistos · 2 comentários
Jan282010

O BRINQUEDO



Ainda não era natal

Mas o bom velhinho, muito  distraído
Enviou o presente , antes da hora
Levou um troço esquisito
Um brinquedo diferente
Não era feio , nem bonito
Mas tinha cara de gente
 
Era alegre e divertido
Falava , andava e ria 
E servia, pra ocupar o tempo

Mas um dia o moleque acordou
Buscando coisas mais interessantes
Ganhou outro mais engraçado
Um ainda mais criativo
Dois ou três... tão envolventes
Um oitavo, irresistível
E sequer se lembrava
Daquele brinquedo antigo
 

Mas dos outros  também enjoou
E recorreu ao armário
Decepcionou-se ao encontrar
O objeto esquecido...
 

Estava todo esfacelado

Com as peças fora do lugar

Parecia machucado
Já não servia pra brincar
Não  era nada resistente...
 

Não fora feito de plástico
Não fora feito de pano
Não tinha peito de aço...
Papai Noel , equivocado....
Dera-lhe, um ser humano.
 

Fabi · 49 vistos · 2 comentários
Jan052010

MISCELÂNEA

Fosse  o tom dessa emoção

Mais que rima,

Verso, prosa


Fosse mais que poesia

A cadência da sensação

Desse gosto que me assola

Dessa sede que não mato

Dessa fome que não sacia

Desse gesto que denuncia

Desse olhar que ora me trai 


Faço então a poesia

Na cadência da emoção

Falo em verso o que me assola

Numa prosa de sensação

Mato a sede com a rima

Minha fome que denuncia

Esse gesto que ora me trai

Fabi · 49 vistos · 2 comentários
Dez262009

TRANSITORIEDADE
 
Passa o tempo
Tudo muda
Muda o tempo
Eu também mudo

A cor do esmalte
Meus quereres
Meus amores 

Tudo muda
Tudo passa

Até as dores
Até lembranças
Inesquecíveis 

Muda a moda
A cor do jeans
O meu cabelo
Também muda 

O namorado
O vizinho
Até o porteiro
Também muda 

A voz dos filhos
O trabalho
O e-mail
E a poesia 

Os amigos
Os segredos
Os desejos 

Tudo passa
Tudo muda
Muda o tempo....
Passa tudo

Fabi · 47 vistos · 1 comentário

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