( Vinícius de Moraes )
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Visualização dos artigos postados: Dezembro 2008
Entre a emoção e a razão
há um tanto de cólera
de tédio
inércia
e insensatez
um oceano negro e revolto
a imagem do fato
e o que seria
há o medo incontestável
a possibilidade constante
a angústia
o naufrágio
o talvez
há vida
quiçá a morte
um ponto final de frase
a consumação
( h ) a felicidade ( ? )
há o conhecido
o previsível....
....e o monstro sagrado da descoberta
caminho tortuoso
(sinuosas linhas)
fascínio e desafio
certezas...
implausíveis
Razão e Emoção
faces de uma mesma moeda...
medalhas tão distintas...
Enquanto driblo a letargia
os pensamentos ganham alturas
as palavras vêm e me cutucam
ávidas por novo corpo
tento dois pronomes e um verbo
disfarço as letras de um certo nome
escrevo, me assusto e apago
num toque ,tudo some...
mas a página em branco me bolina
os dedos começam a suar
o peito arfa, a pele inflama
estou prestes a me entregar
acaricio o teclado com jeito
miro a tela , num intenso flerte
fecho os olhos,
que viagem insana.,
sinto a inspiração me tocar...
lentamente me desabotoa a blusa
alcança as costas, o ventre e os seios
invade a nuca
com hálito quente...
o coração se põe a pensar...
escuto a voz dos meus sentimentos
os anseios cálidos
de uma paixão
me afogo em volúpia
(desejos sôfregos)
sou escrava dessa emoção...
enterro meus medos
sem receios
exponho segredos
perco o pudor
escancaro as portas do meu desterro
poesia ,
minha confissão de amor
Deixo na prateleira
o que se chama vanguarda
Também não fico na janela
olhando o século passado
Refaço meus compêndios
usando todos os matizes na tela
Não quero um tratado poético...
delírios de divã
e uma poesia – novela
Misturo ópio e sal
um conhaque , uma bagana
uma musa no espelho
um doce, presenteado no sinal
o beijo no meio da escada
minha calcinha no varal
uma doutrina ultrapassada...
Retiro da memória
Aquele amor impossível....
um pijama emprestado
um retrato amassado
uma carta , um augúrio
resquícios mofados,
um bolor esverdeado
não resisto à uma boa risada
não resisto às lágrimas....
Do outro lado do muro
a vida pulsa, não pára
um convite inusitado...
uma promessa ?
não farei poema romântico....
me perfumo
vou ao cinema...
...da mágoa e da decepção
daria para fazer um tratado
são farinhas do mesmo saco?
ou cabe comparação?
como diz um amigo
uma, é nó engasgado
a outra , cristal partido
digo que a mágoa é uma ferida aberta
decepção, um mito destronado....
na minha história de vida
muitos reis tornaram-se vassalos
perderam casta privilegiada
e hoje, rastejam no chão
a mágoa é amargura contida
faz verter bílis, no coração
é a dor que nunca cessa
até render-se ao perdão
que é a cura, o remédio
pois a mágoa, tem solução
só nos fere quem amamos
aquele que é importante ou querido
então basta abaixar as armas
e oferecer os ouvidos
decepção não tem reparo
ao vaso raro não cabe emenda
nada cola ou conserta
dois lados de uma grande fenda
mas nos resta substituir o ídolo
que nos decepcionará algum dia
pois é comum ao ser humano
buscar a perfeição
esquecendo-se todavia
que errar, faz parte da Criação...
Deixo todos meus cheiros
trancados em frascos
à tua espera
na prateleira de aromas do meu corpo
guardo meus mais caros perfumes
minha essência
um misto de lavanda e desejo
ansiando teu beijo para exalar
meu néctar de fêmea
de rosa lasciva
que regada à saliva
é mais que uma flor
são pétalas e pólen
o extrato mais raro
para teu olfato apurado
aspirar com amor