“Resta esse constante esforço para caminhar dentro do labirinto / Esse eterno levantar-se depois de cada queda / Essa busca de equilíbrio no fio da navalha / Essa terrível coragem diante do grande medo/ e esse medo infantil de ter pequenas coragens”
( Vinícius de Moraes )

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Dez172008

FASTIO




Minha boca cerrada

já não encerra o grito
o alívio da alma
a catarse e o alvitre
faz-se muda
diante dos fatos
perdeu seu anseios
sua essência, seus mitos



Minha boca ressequida

já não mata minha sede
perdeu-se entre fatos
anseios e mitos
calou seu grito
cerrou-me a alma
perdeu sua essência
a altivez e o alvitre


Fabi · 13 vistos · 0 comentários
Dez152008

HISTÓRIAS DE UM DOIDO VARRIDO

Esbarrei no meio do caminho
Com um
velho desmiolado
Fedido e mal arrumado
Desses que vemos todo dia...


Mas esse era diferente,
Mesmo com seu  jeito demente
Alguma coisa nele, atraía
E fazia juntar gente

De perto poucos ficavam
O cheiro de mijo, incomodava
À certa distância, porém, parecia
Um ente de um reinado perdido

Tinha pose pricipesca
A palavra bem impostada
E
 mesmo quem não quisesse
A sua história ouvia.

Contava que num canto qualquer havia
Um reino encantado
Mas tudo foi construído
Pelo povo que lá habitava

Nem sempre foi daquele jeito
Mas aquela gente determinada
Mudou o rumo do seu  mundo
E construiu um país, que seria ,o  nosso contrário.


Era um povo operário
Incansável e altruísta

Dominados por um governo perdulário
Que lhes sugava todo salário

Decidiram então que mais nada dariam
A
os dirigentes, para que eles fizessem
O que diziam que fariam 
E no entanto nunca fizeram

Fizeram então  eles mesmos
O que deveria ser feito
Ajudaram-se uns aos outros, em tudo que podiam
E o dinheiro dos impostos, depositaram em juízo
Na conta dos  excluídos.

O governo, ficou  no prejuízo
Mas o povo enriquecia
E aos poucos  esqueciam
Que tiveram um líder
Incompetente e autoritário.

E o que era ninharia
Se transformava em milhão
Aquela gente sem querer fazia,
Uma  grande revolução


O governo salafrário
Que pensava que o povo era otário

Desesperado , fugiu.
Dizem, que veio para o Brasil ! 

Fabi · 22 vistos · 0 comentários
Dez132008

PROMESSAS


Não direi : te amo

Não espere de mim
um lindo poema de amor


Não te darei  palavras escritas

Todas as letras serão ditas
em gestos, em toques ...

em arroubos

em estrondos
em  emoção


Com um maissssssssss

no teu  ouvido
um sussurro, um gemido


Com a mão inquieta

Com um não vacilante
Com uma risada gostosa


No banho de vinho

No banho relaxante
No banho de gato


Entre as paredes do quarto

Entre minhas  pernas
Entre nossos suores


Quando me deixares de quatro

Quando me deixares de joelhos
Quando me deixares morta

Completamente perdida
Exaurida
E apaixonada por você


Fabi · 22 vistos · 0 comentários
Dez112008

POR QUE A POESIA EM TEMPOS DE INDIGÊNCIA?

Eu canto porque o instante existe / e a minha vida está completa / Não sou alegre nem sou triste / sou poeta
.” 
(Cecília Meirelles)   
         
Muitos são os instantes cantados pelos regentes das palavras. Poesia é assim, tem distintas fases, diversas faces. Ora é catarse, ora reflexão. Munidos de versos os poetas são capazes de nos envolver numa emaranhada teia de questionamentos ou simplesmente exacerbar nossos mais caros sentimentos. A poesia denuncia, apazigua, encanta, emociona, nos deixa perplexos diante de esculturas perfeitas trabalhadas em letras e emoção. Existem poemas que nos surpreendem , mesmo quando descrevem situações com as quais nos deparamos constantemente. A realidade em versos é explícita, doída, nos acerta um soco no estômago e nos  faz acordar...
 

“ Vi ontem um bicho/ Na imundície do pátio / Catando comida entre os detritos ( Manuel Bandeira )

             Outros grandes maestros são extremamente realistas e contundentes e nos conscientizam, expondo as misérias sofridas por tantos homens-bicho da nossa sociedade fragmentada. 
Somos muitos Severinos / iguais em tudo e na sina / a de abrandar estas pedras / suando-se muito em cima / a de tentar despertar / terra sempre mais extinta” ( João Cabral de Melo Neto )  
          
Também é desconfortável a poesia espelho, aquela que  mostra nosso retrato estampado nas palavras e nos leva a pensar na transitoriedade e nas contradições da vida .
 

“E agora, José? / A festa acabou / a luz apagou ,o povo sumiu, / a noite esfriou,e agora, José?  / e agora, Você ?  ( Carlos Drummond de Andrade )

             Mas talvez o bom seja apenas sentir os versos , talvez a poesia não seja feita para pensarmos nela , assim como o mundo... 
“O Mundo não se fez para pensarmos nele /   (Pensar é estar doente dos olhos)  / Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo...” (  Fernando Pessoa )       
     
E então, livres do pensar, podemos nos embriagar de palavras , que nos deixarão desorientados, perplexos ,emocionados ou encantados, mas jamais  indiferentes.
Quando tanto nos falta, é fundamental bebermos do néctar-seiva poesia para continuarmos acreditando no amor e na vida. Posto que poesia é o fato eternizado na escrita mas é também e acima de tudo a esperança tatuada nas entrelinhas dos poetas. 
“Resta esse constante esforço para caminhar dentro do labirinto / Esse eterno levantar-se depois de cada queda / Essa busca de equilíbrio no fio da navalha / Essa terrível coragem diante do grande medo/ e esse medo infantil de ter pequenas coragens”  ( Vinícius de Moraes )  

Fabi · 54 vistos · 0 comentários
Dez112008

Por que a poesia em tempos de indigência?
 

Ainda   que  falte o pão, a justiça,  a deferência
Ainda que não haja teto, honradez,  integridade
Mesmo sem escolas, hospitais, sem dignidade
E nossa juventude esfacelada  pela violência 

Enfrento com metáforas esses tempos de indigência
Transformando em versos nossa atroz realidade
Uso a força da palavra como forma de  resistência
Clamando  muda com voz pujante e com liberdade 

Quero  atingir famosos , anônimos, desertores
Semear solidariedade onde impera hipocrisia
Despertar a sensibilidade de eventuais leitores 

Para amenizar os  dissabores do nosso dia a dia
E na semi-aridez destes campos, plantar as flores
Irrigadas com amor, com esperança, com poesia

Fabi · 15 vistos · 0 comentários
Dez112008

VIVER....

E NÃO TER A VERGONHA DE SER FELIZ....


CANTAR , NA CERTEZA DE SER UM ETERNO

APRENDIZ....

Fabi · 9 vistos · 0 comentários
Dez102008

DIVAGAÇÃO


Entre a emoção e a razão

há um tanto de cólera
de tédio
inércia
e insensatez
 
um oceano negro e revolto
a imagem do fato
e o que seria

entre a emoção e a razão

há o medo incontestável
a possibilidade constante
a angústia
o naufrágio
o talvez

há vida

quiçá a morte
um ponto final de frase
a consumação
( h ) a felicidade ( ? )

há o conhecido
o previsível....

....e o monstro sagrado da descoberta
caminho tortuoso
(sinuosas linhas)
fascínio e desafio

certezas...
implausíveis
 
Razão e Emoção
faces de uma mesma moeda...
medalhas tão distintas...


 

Fabi · 9 vistos · 0 comentários
Dez092008

CRIAÇÃO

Enquanto driblo a letargia

os pensamentos ganham alturas

as palavras vêm e me cutucam

ávidas por novo corpo

tento dois pronomes e um verbo

disfarço as letras de um certo nome

escrevo, me assusto e apago

num toque ,tudo some...

 

mas a página em branco me bolina

os dedos começam a suar

o peito arfa, a pele inflama

estou prestes a me entregar

 

acaricio o teclado com jeito

miro a tela , num intenso flerte

fecho os olhos,

que viagem  insana.,

sinto a inspiração me tocar...

 

lentamente me desabotoa a blusa

alcança as costas, o ventre e os seios

invade a nuca

com hálito quente...

o coração se põe a pensar...

 

escuto a voz dos meus sentimentos

os anseios  cálidos

de uma paixão

me afogo em volúpia

(desejos sôfregos)

sou escrava dessa emoção...

 

enterro meus medos

sem receios

exponho segredos

perco o pudor

escancaro as portas do meu desterro

poesia ,

minha confissão de amor

 

Fabi · 18 vistos · 0 comentários
Dez082008

POEMA PÓS-MODERNO



 


Deixo na prateleira


o que se chama vanguarda


Também não  fico na janela


olhando o século passado


Refaço meus compêndios


usando todos os matizes na tela


Não quero um tratado poético...


delírios de divã


e uma poesia – novela


Misturo ópio e sal

um conhaque , uma bagana

uma musa no espelho

um doce, presenteado no sinal

o beijo no meio da escada

minha calcinha no varal

uma doutrina ultrapassada...



Retiro da memória


Aquele amor impossível....


um pijama emprestado


um retrato amassado


uma carta , um augúrio

resquícios mofados,

um bolor esverdeado

não resisto à uma boa risada

não resisto às lágrimas....                                      


Do outro lado do muro


a vida pulsa, não pára


um convite inusitado...


uma promessa ?


não farei poema romântico....


me perfumo


vou ao cinema...


Fabi · 15 vistos · 0 comentários
Dez052008

REFLEXÃO



...da mágoa e da decepção
daria para fazer um tratado
são farinhas do mesmo saco?
ou cabe comparação?
 

como diz um amigo
uma, é nó engasgado
a outra , cristal partido



digo que a mágoa é  uma ferida aberta

decepção, um mito destronado.... 



na minha história de vida

muitos reis tornaram-se vassalos
perderam casta privilegiada
e hoje, rastejam no chão 



a mágoa é amargura contida

faz verter bílis, no coração
é a dor que nunca cessa
até render-se ao perdão
 

que é a cura, o remédio
pois a mágoa, tem solução
só nos fere quem amamos
aquele que é importante ou querido
então basta abaixar as armas

e oferecer os ouvidos

 
decepção não tem reparo

ao vaso raro não cabe emenda
nada cola ou conserta
dois lados de uma grande fenda 



mas nos resta substituir o ídolo

que nos decepcionará algum dia
pois é comum ao ser humano
buscar a perfeição
esquecendo-se todavia
que errar, faz parte da Criação...


 

Fabi · 18 vistos · 0 comentários

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